segunda-feira, 10 de novembro de 2014

"Nunca, no verdadeiro e bom sentido da expressão, houve país onde o povo fosse, realmente, "quem mais ordena" para bem da nação."

"Em "O país que não resgatou os seus bancos", da autoria de Marc-Pierre Dylan - ed. Marcador - fica-se com uma imagem bem nítida de algo considerado praticamente improvável até ter sido feito pela primeira vez: um país que não quis pagar os erros de um sistema bancário que se considerava impune perante a lei e imune aos enganos e ilusões provocados pela própria ganância de quem geria essa intrincada rede com ramificações à escala global.

A Islândia, uma nação soberana e com forte tradição democrática e participativa dos seus habitantes nos assuntos da "res publica", resolveu insurgir-se civilizada mas decididamente contra a chamada "ditadura do capital", evitando desse modo ficar sujeita às imposições de organismos internacionais durante décadas, rejeitando suportar verdadeiras sevícias para liquidar as dívidas negligentemente provocadas e acumuladas por instituições financeiras privadas, que nada tinham que ver com o Estado islandês.
 

Digna demonstração do grau de civilidade de um povo, com esta obra de conteúdo deveras acessível - a tradução de Rita Fazenda não é de modo algum despicienda para esse contributo, resultando numa leitura escorreita - é possível compreender-se qual o verdadeiro papel do cidadão na sua sociedade e o modo quase obrigatório que este deve ter no seu seio para evitar que sucedam abusos de autoridade, desvios de interesses e ilusões demagógicas que só conduzem ao descalabro das economias nacionais, como presentemente tão bem se pode verificar em várias nações do designado "mundo ocidental".

No fundo, com um cariz que semelha uma reportagem jornalística, "O país que não resgatou os seus bancos" continuará actual durante muito tempo, concretamente para todos quantos acreditam em valores fundamentais como a liberdade de escolha, de expressão e de decisão.

Nunca, no verdadeiro e bom sentido da expressão, houve país onde o povo fosse, realmente, "quem mais ordena" para bem da nação."
 
Luís Corredoura