quinta-feira, 26 de março de 2015

Raquel Ochoa sabe que os viajantes estão cada vez mais exigentes.



A América do Sul foi uma aventura de 6 meses quando tinha 25 anos (que repetiu depois outras três vezes por períodos mais curtos) e que marcou a fase da vida da autora em que decide começar a escrever. Ou seja, aquela deambulação, quase sem tempo, permitiu-lhe perceber que além de viajar, escrever era essencial para si e isso teve um efeito determinante no decorrer da própria viagem.

E qual é esse efeito? A veia de repórter impele os viajantes a meterem-se em caminhos desconhecidos. Assim sendo, Raquel Ochoa conhece o coração da América do Sul que todos querem (e devem conhecer) mas também recantos ignorados, nomeadamente no Deserto de Atacama, em que consiste mais de um terço desta viagem.

No fundo, quando a autora de "O Vento dos Outros", as suas crónicas sobre esta parte do mundo, se sentou em frente ao mapa para elaborar o trajecto, pensou em tudo o que poderia ser visto com o objectivo de mostrar aos seus viajantes o essencial da história e da cultura  pré e pós-colombiana.

Claro que será sempre apenas uma parte, mas é um percurso pensado para ir ao centro dos impérios e aos arrabaldes do deserto e das montanhas.

Vão passar dias junto ao Oceano Pacífico e fazer viagens cruza-fronteiras em plenos Andes.

Vão "adorar o deus-sol" ao seu berço, no lago Titicaca (dos dois lados  - boliviano e peruano) e tomar conta de cidades-fantasma que as minas abandonadas no Chile do século XIX deixaram intactas.  
 
Enfim, uma viagem com muita aventura, sítios inesperados, num ritmo que intercala highlights turísticos e terras de ninguém onde só a bicharada curiosa vem espreitar (o deserto de Atacama tem imensa vida animal)/ ou Marcahuasi, nos arredores de Lima, outro exemplo.

Será muito interessante.