segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Um livro de leitura rápida e compulsiva

"Mossad é um nome que inspira terror, respeito ou ódio. Assim são designados os serviços secretos israelitas, cuja reputação lendária resultou de diversos actos de espionagem, sabotagem e homicídios. Demasiado lendária: hoje em dia não há problema no mundo islâmico que não seja atribuído às suas maquinações, desde protestos populares até ao Onze de Setembro, passando pela criação do Twitter e do Facebook…


Mossad – Espiões contra o Armagedão não é somente «mais outro» livro entre os que têm surgido sobre a Mossad no mercado português. É um complemento dos anteriores, acrescentando novas revelações. Os fascinantes relatos englobam o «super-antivírus» informático utilizado para atrasar o programa nuclear iraniano, a destruição da central nuclear de Saddam Hussein e as operações homicidas contra terroristas de peso, figurões de ditaduras inimigas e, até mesmo, um impiedoso nazi.

Os autores não colocam a Mossad num pedestal: denunciam o abandono de vários agentes que perderam utilidade, condenados a viver na pobreza ou na prisão, apesar dos preciosos serviços do passado. Ou a colaboração com ex-nazis (!) e ditaduras árabes, cuja retórica fortemente anti-sionista não passa de isso mesmo: apenas retórica. Sem esquecer as mentiras ditas a amigos, fossem governos ou indivíduos.

O mito da infalibilidade da Mossad é refutado pela denúncia de vários erros crassos: um agente duplo que tantas informações forneceu aos soviéticos; um fala-barato com muita imaginação e pouca informação, cujos falsos relatórios quase provocaram uma guerra com o mundo árabe; um atentado falhado contra um alto membro do Hamas, causa de uma humilhação pública e internacional, etc.

Todavia, é descrito o patriotismo de vários agentes e o modo como, ao pertencerem a um Estado diminuto num oceano árabe hostil, ainda hoje encoraja receios de um novo Holocausto. Em suma, um livro de leitura rápida e compulsiva, apesar da sua espessura!"